A dor crônica na coluna é uma das condições mais prevalentes no mundo — segundo a OMS, afeta cerca de 20% da população global. No Brasil, estimativas apontam que 30 a 40% das pessoas convivem com alguma forma de dor crônica. Apesar dos avanços em exames de imagem e técnicas cirúrgicas, uma parcela significativa desses pacientes não encontra alívio duradouro com tratamentos convencionais.
A razão é simples e, ao mesmo tempo, profunda: nem toda dor crônica tem origem em uma lesão estrutural. E tratar uma estrutura que não é a causa real do problema raramente resolve.
No consultório do Dr. Carlos Eduardo Romeu, neurocirurgião especialista em coluna e dor crônica em Salvador e Feira de Santana, a abordagem clínica parte de um princípio fundamental: tratamos o paciente, não a ressonância.
A ciência da dor evoluiu enormemente nas últimas duas décadas. Hoje sabemos que a dor crônica pode pertencer a três grandes categorias, e reconhecer qual delas predomina é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
A dor nociceptiva é a mais conhecida: ocorre quando há lesão real nos tecidos — uma fratura, uma inflamação, uma compressão nervosa significativa. É a dor que faz sentido do ponto de vista anatômico. Ela responde bem a tratamentos direcionados à estrutura afetada.
A dor neuropática resulta de lesão ou disfunção do próprio sistema nervoso — como nas neuropatias diabéticas, neuralgias pós-herpéticas ou radiculopatias compressivas. Também tem causa identificável e tratamentos específicos.
Mas existe uma terceira categoria, reconhecida oficialmente pela IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) e pela OMS em suas diretrizes de 2023: a dor nociplástica, também chamada de dor neuroplástica. Nesse tipo de dor, não há lesão tecidual proporcional aos sintomas. O que existe é uma alteração no processamento da dor pelo sistema nervoso central — o cérebro e a medula espinhal aprenderam a amplificar, perpetuar ou até gerar sinais de dor de forma autônoma.
Isso não significa que a dor é imaginária. Significa que a dor é real, mas sua origem está no modo como o sistema nervoso processa as informações — e não em um dano estrutural que precisa ser operado ou infiltrado.
Estudos de neuroimagem funcional (fMRI) demonstram que pacientes com dor crônica apresentam hiperativação em regiões cerebrais ligadas ao processamento emocional e à percepção de ameaça, mesmo quando não há estímulo nocivo real. É como se o sistema de alarme do corpo tivesse ficado permanentemente ligado.
Um dos maiores desafios que enfrentamos na prática clínica é a frustração do paciente que ouve: “seus exames estão normais” — como se isso significasse que o problema não existe.
A realidade é diferente. Pesquisas mostram que até 80% das pessoas saudáveis e completamente sem dor apresentam hérnias ou protrusões discais em exames de ressonância magnética. Isso significa que encontrar uma hérnia no exame de alguém com dor não prova que aquela hérnia é a causa do problema.
Da mesma forma, aproximadamente 80% das dores lombares crônicas são classificadas como “inespecíficas” — sem uma causa estrutural clara que explique a intensidade ou persistência dos sintomas.
Compreender isso não invalida a queixa do paciente. Pelo contrário: abre caminho para um diagnóstico mais preciso e um tratamento mais eficaz, que vai além da anatomia e considera o funcionamento do sistema nervoso como um todo.
Nossa prática clínica abrange tanto condições com causa estrutural definida quanto síndromes de dor crônica com componente neuroplástico predominante.
Hérnia de disco cervical e lombar — Quando há compressão significativa de raízes nervosas com sintomas compatíveis (dor irradiada, formigamento, perda de força), o tratamento pode incluir desde bloqueios epidurais até cirurgia endoscópica minimamente invasiva. Quando os sintomas não correspondem aos achados de imagem, investigamos mecanismos de sensibilização central antes de indicar qualquer procedimento.
Estenose do canal vertebral — O estreitamento do canal espinhal pode causar claudicação neurogênica e limitação funcional progressiva. Avaliamos criteriosamente a correlação entre o grau de estenose e os sintomas antes de indicar descompressão cirúrgica.
Dor lombar crônica — A condição mais comum da coluna. Pode ter origem discogênica, facetária, sacroilíaca ou — em muitos casos — neuroplástica. Nossa avaliação utiliza bloqueios diagnósticos e avaliação de sensibilização central para identificar a fonte real antes de propor tratamento.
Dor cervical crônica — Frequentemente associada a tensão muscular, estresse e processamento emocional alterado, além das causas estruturais como artrose facetária e discopatia. A abordagem integra avaliação biomecânica e neuroplástica.
Ciática e radiculopatia — A dor irradiada para membros pode ter origem compressiva (hérnia, estenose foraminal) ou pode ser mantida por sensibilização central mesmo após resolução da causa original. Diferenciamos os dois cenários para direcionar o tratamento correto.
Artrose facetária e dor sacroilíaca — Fontes comuns de dor axial que respondem bem a bloqueios diagnósticos e terapêuticos, radiofrequência e, quando indicado, denervação. Sempre avaliamos se a dor é proporcional ao achado anatômico.
Fibromialgia — Uma das condições que mais se beneficia da abordagem neuroplástica. A fibromialgia é hoje compreendida como uma síndrome de sensibilização central, onde o sistema nervoso amplifica sinais sensoriais de forma generalizada. Tratamentos que abordam o processamento central da dor — incluindo educação em neurociência, terapia de reprocessamento e neuromodulação — mostram resultados superiores ao manejo puramente farmacológico.
Dor crônica generalizada — Pacientes com dor em múltiplas regiões, fadiga, distúrbios de sono e sintomas emocionais associados. Avaliamos sistematicamente para sensibilização central e oferecemos tratamento multimodal.
Neuralgia do trigêmeo — Condição de dor facial intensa que pode ser tratada com medicação específica, bloqueios ou, quando necessário, procedimentos cirúrgicos como descompressão microvascular.
Síndrome do túnel do carpo e outras neuropatias compressivas — Diagnóstico com eletroneuromiografia e tratamento que vai da imobilização à descompressão cirúrgica minimamente invasiva.
Dor crônica pós-operatória — Quando a dor persiste após cirurgias bem-sucedidas do ponto de vista técnico, investigamos mecanismos de sensibilização central e oferecemos abordagens direcionadas ao sistema nervoso.
O tratamento no consultório do Dr. Carlos Romeu segue uma lógica progressiva que respeita a complexidade de cada caso.
Antes de qualquer tratamento, investimos tempo no diagnóstico correto. Utilizamos exames de imagem avançados, avaliação neurológica detalhada, bloqueios diagnósticos quando indicados, e ferramentas validadas de rastreio para sensibilização central. O objetivo é identificar não apenas o que os exames mostram, mas se aquilo que os exames mostram é, de fato, a causa dos sintomas.
Pacientes que compreendem como a dor funciona respondem melhor ao tratamento. Dedicamos tempo para explicar os mecanismos da dor crônica, o papel do sistema nervoso na amplificação dos sintomas, e por que certos achados de imagem não necessariamente significam doença. Esse conhecimento, por si só, já reduz a catastrofização e o medo — dois dos maiores fatores de cronificação da dor.
Para condições com componente estrutural significativo, oferecemos o que há de mais moderno em tratamento intervencionista da dor: bloqueios epidurais, bloqueios facetários e sacroilíacos, radiofrequência convencional e pulsada, e procedimentos de neuromodulação. Esses procedimentos podem ser realizados por convênio médico e têm papel importante tanto no tratamento definitivo quanto como “janela de oportunidade” — reduzindo temporariamente a dor periférica para que o paciente consiga progredir em reabilitação e na reprogramação do sistema nervoso.
Quando há indicação cirúrgica clara — compressão medular, instabilidade segmentar, déficit neurológico progressivo — realizamos cirurgias da coluna com técnicas minimamente invasivas, incluindo endoscopia de coluna, que permite tratamento de hérnias discais com anestesia local e alta no mesmo dia. A cirurgia é uma ferramenta valiosa quando bem indicada, mas nunca deve ser o primeiro recurso para dor crônica sem causa estrutural definida.
Para pacientes com dor crônica onde o componente neuroplástico é predominante, oferecemos uma abordagem integrada que inclui educação em neurociência da dor, técnicas baseadas em neuroplasticidade, e quando indicado, neuromodulação (como estimulação transcraniana por corrente contínua — tDCS). Essa abordagem reconhece que o mesmo cérebro que aprendeu a sentir dor pode aprender a não senti-la — e utiliza ferramentas cientificamente validadas para facilitar esse processo.
Considere agendar uma avaliação se você apresenta dor na coluna ou dor crônica há mais de 3 meses sem melhora com tratamentos convencionais; se já consultou múltiplos especialistas sem diagnóstico conclusivo; se seus exames mostram alterações que “não explicam” a intensidade da sua dor; se convive com fibromialgia ou dor generalizada e não encontrou alívio adequado; se sente que o medo da dor limita suas atividades mais do que a dor em si; ou se já fez cirurgia e a dor persistiu ou retornou.
Nossa proposta é oferecer uma avaliação completa que considere todos os aspectos da sua dor — estruturais, neurológicos e emocionais — para então construir, junto com você, um plano de tratamento que faça sentido para o seu caso específico.
Dr. Carlos Eduardo Romeu Neurocirurgião · Especialista em Coluna e Dor Crônica CRM-BA 21678 | RQE 14262 Atendimento em Salvador e Feira de Santana – BA
© Dr. Carlos Eduardo Romeu | CRM Nº: 21678 | RQE Nº: 14262